sexta-feira, 27 de abril de 2012

O passarinho e o velho carvalho

Certa vez um canarinho pousou num velho carvalho e, lá do alto, perguntou para a árvore: - Porque você é assim, tão retorcido? - Você me acha feio? perguntou o carvalho. - Bem, não posso negar que já pousei em árvores mais bonitas… O que foi que houve com você? - Sou assim todo retorcido por causa das inúmeras tempestades e catástrofes que já enfrentei na vida. Cada uma delas deixou uma marca em mim. - Pobrezinho, lastimou o passarinho. - Não, passarinho, não fique com pena de mim. Foi bom eu ter passado as provações que passei, pois minhas raízes se aprofundaram e meu caule se fortaleceu. Hoje não é qualquer tempestade que me perturba. De repente, um tempestade violenta se formou e bateu com ímpeto naquela região. Árvores foram arrancadas, galhos se despedaçaram, mas o velho carvalho agüentou tudo com a solidez do ferro. Depois da tempestade, o passarinho, que havia se protegido no carvalho, agradeceu: - Obrigado meu amigo, pela acolhida e pela proteção. Realmente, suas raízes são profundas e o seu caule é firme. Sorte minha e de muitos outros pequeninos como eu, que não teriam condições de vencer sozinhos uma tempestade como essa! Ninguém há que nada possua para dar. Ninguém existe que não possa fazer algo a benefício do seu irmão. Há tanto que se fazer na Terra. Existem tantos aguardando a cota do nosso gesto de ternura. Ninguém inútil ou desprezível. Cabe-nos redescobrir a riqueza que em nós existe e distribuí-la a quem dela necessite ou espere. Se nos sentirmos solitários, em meio às dificuldades que nos alcancem, aprendamos a estender sorrisos nos caminhos por onde passarmos. Antes de nos amargurarmos e cobrar gestos de carinho de amigos e parentes, antecipemo-nos e doemos a nossa cota de amor, ainda hoje, permitindo-nos usufruir da alegria de dar e dar-se.

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